le strange
crazy impulsive vampire
theme por im-mutable
não copie e nem se inspire.
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Whatever you do in life will be insignificant, but it’s very important that you do it, because nobody else will. Like when someone comes into your life and half of you says you’re nowhere near ready, but the other half says: make her yours forever.
E no prato da estranha relação que construímos, vivíamos como garfo e faca: enquanto ela me cortava, eu a espetava.
Lucas Lima

Posted 4 months ago with 77 notes

Entrego-te um botão de rosa roubado de uma roseira qualquer e tu imaginas que não sei escolher, mas não passa por tua cabeça que, entre as rosas maduras, preferi entregar-te o tímido botão que, mesmo não tão bonito quanto as outras, destacava-se apenas por ser diferente. Tu ris e aceitas o presente de bom grado, pois aprendeste que o valor do presente é a intenção, porém não ignoras. Ao chegar a sua casa, de onde posso espiá-la do pequeno basculante do banheiro, mergulha sua raiz em um vaso de plantas vazio, já que as últimas que recebeste murcharam há mais de um ano. Ligo-te e chamo-te para sair e tu aceitas, observando à rosa que já ameaça deixar de ser um mero botão e mostrar toda sua beleza para o mundo que não passa da sala de estar de tua casa. E saímos, rimos, divertimo-nos e beijamo-nos no portão de teu condomínio, apenas por uma vez. Tu entras em casa e eu volto a observar teu quarto pelo basculante, como deve ser. No dia seguinte, me ligas e me convidas para passar o dia em tua casa. O tempo é frio e não existe nada melhor do que estar com quem gostamos, debaixo do edredom, aproveitando o ócio do fim de semana, consumando o beijo que consumara uma relação e vendo televisão, mesmo sem prestar atenção. E a flor que lhe dei finalmente vira flor e tu vês que a ideia de lhe dar um botão de rosa não passa de um meio de estender seu prazo tão curto de vida. Passa-se um mês e o porteiro de teu prédio já virou meu conhecido; já deixa teu portão aberto às 19h30min, quando volto do trabalho e venho lhe visitar. Dou-lhe um beijo, pergunto o que tu fazes para manter a rosa viva e tu respondes que a ama como me amas. E entra no banheiro assim que ligo o chuveiro; não me viste o dia todo e agora, não desgrudas de mim nem na hora de meu banho; não tenho o que reclamar. E em seu armário, tenho cinco camisas e três calças jeans, fora algumas cuecas e samba-canções na máquina, meias e moletons. Em meu armário, há duas camisolas, três vestidos, dois shorts jeans e algumas camisas de bandas de rock, fora uma calcinha vermelha e outra preta, molhadas em meu banheiro. Durmo em sua casa e passamos a noite em claro desfrutando de leite condensado, sexo e insônia, mesmo sabendo que temos que trabalhar amanhã. E quando pisco, esqueço-me de nosso aniversário de oito meses, mas lembro no final do dia e tento fazer-lhe uma surpresa e você a aceita, mesmo com teu conhecido e imbatível bico, pois tu sabes que não sou bom com datas. Brigamos e acertamo-nos em um piscar de olhos e temos brigas mais extensas, mas nada que uma declaração simples de amor não lhe traga de volta, porque todos sabem eu não funciono sem você e você não vive sem mim. E quando nossa rosa murcha e suas pétalas caem, não encaro isto como a hora de ir, mas como a hora de renovar nosso amor e renovo-nos a cada dia, como o novo botão de rosa se abre aos poucos. Amo-te como se fosse a primeira vez. Ama-me como se fosse a primeira vez. E completamos um ao outro, sem cobranças e sem precisar de mais nada. Só amor e algumas brigas que nos fazem falta na conta do final do mês

Lucas Lima


Posted 10 months ago with 159 notes

Preferia fechar os olhos e adormecer eternamente a fechá-los e acordar novamente em um lugar desconhecido. Nunca fiz questão de reforçar minhas crenças, mas se Shakespeare estava correto ao escrever que existe mais entre o céu e a Terra do que sonha nossa vã sabedoria, peço abertamente a tudo isto que me deixe repousar. Não me interessa um paraíso, tampouco um inferno ou qualquer rastro de vida após a morte, apenas o descanso que não perderia a graça após uma vida que valeria a pena

Lucas Lima

Posted 10 months ago with 116 notes

É em momentos como este, em que tento lhe escrever e não encontro palavra alguma, que afirmo-lhe com precisão: meu coração precisa de um tradutor.
Lucas Lima (1-9-7-3)

Posted 10 months ago with 98 notes

— Muito para beber e pouco para comer. — recriminou-me enquanto andava pela casa como uma fiscal. — Bagunça demais, sujeira demais…

 

 Acolhi o silêncio como um grande amigo, sem desconfiar de uma ruptura duvidosa, mas como uma válvula de escape para tanta reclamação.

 

 Esbofeteou-me.

 

Não o silêncio, definitivamente rompido com o som de uma mão pesada em minha face. Alice.

 

— Andou fumando?

 

Antes sequer que meus olhos pudessem se fechar, senti o maço de cigarros fechado voar em meu rosto, assim como as mãos de uma donzela outrora.

— Você sabe o quanto isto faz mal à saúde? Sabe? — acompanhava Alice andar de um lado para o outro com os olhos e temia seus próximos movimentos — Não deve saber. Se soubesse, nunca teria tocado em um.

 

Interrompeu sua caminhada infinita e monótona pelo cômodo de vinte metros. Pôs as mãos na cabeça, como costumava fazer quando não sabia o que fazer ou o que falar, e eu pude realmente ver como o tempo a havia mudado. Alta, morena. Longos cabelos negros, os quais quase lhe cobriam as costas e que me levavam a prestar atenção em outro detalhe importante — tinha uma bunda maravilhosa. Bem destacada no curto vestido preto. E tomara que caia.

 

Não caiu, porém aproximou-se. De mim, não de cair. Infelizmente.

 

— Se eu te ver fumando novamente, eu acabo com você.

 

— O que está esperando?

 

Fuma.

 

Agarrei o maço de cigarros antes jogado em mim antes de abandonar a poltrona verde-musgo apreciando o ar desafiante daquele lugar. Sorri maliciosamente e o abri, puxando um de seus cigarros e jogando-o novamente na poltrona velha, rejeitando os outros em um momento belamente oportuno. Os olhos de Alice encontravam-se fixos em meu rosto enquanto tateava a escrivaninha em busca da caixa de fósforos, que milagrosamente encontrava-se perto de minha mão. Levando o cigarro aos lábios, acendi o fósforo e levei-o até sua ponta. Queimou. E, sentindo o ápice do desafio, traguei-o.

 

Correu em minha direção e tinha a nítida impressão de que queimava como o cigarro entre meus dedos. Ocupou-me os olhos com os próprios e pude ver o fogo correndo em sua íris verde e incrivelmente hipnotizante. Levei o cigarro até os lábios novamente e traguei-o, exalando a fumaça em seu rosto como uma compreensível provocação.

 

E naquele segundo, eu poderia dizer que Alice estava em minhas mãos, como o cigarro. Não por muito tempo. O cigarro estava no chão; assim como Alice.


Lucas Lima (1-9-7-3)


Posted 10 months ago with 27 notes

ragazzarossa:

Afrontava-a. Não a própria; a perene lembrança da mulher que esperava, contudo tinha consciência de que não voltaria. E por isto, afrontava-a. Vem, volta e diga que fica; que retornas e que não vais sairdes novamente pela porta da frente. Deixou o sumo sair dos olhos, a boca pedir por mais e temeu. Anestesiou o interno, virou ao lado e olhou: eram retinas.

Implorava com os olhos que gritavam por vê-la entrar pela porta da frente, justificando sua demora pela grande fila do mercado. E ele afrontava-a, como isto ela se fosse sentir e voltar enfurecida para recriminá-lo pelos atos mal criados, como costumava fazer quando o problema mais grave era o desleixo dele contra suas manias de limpeza.

Mas não sentiu. Não veio fúria, ficou branda. Rosa cálida, como quem precisa de água e cuidado. Olhou-o de cima a baixo e fitou a ausência. Onde estaria, então? Na fila, no quarteirão dobrando a esquina esquerda com sacolas nas mãos. Atrasado e atrasando palpitações. Não sentia, deixou escapar-se. Recolheu o pó e armazenou-o em um pote – seria útil; fútil.

Sorria ao olhar sua grande bagunça. Incomodava-o por costume, mas estava orgulhoso. Orgulhoso por sentir-se soberano; dono de seu próprio coração. Pouco a pouco, as mentiras que ele próprio criava serviam-lhe de consolo. E naquilo apoiava-se, submerso na própria loucura. Afogava-se.

– Diz-me! Diz-me que fica, que trouxe, que têm.

– Não fico, não trouxe, não tenho.

– Por que negas?

– Por que insiste?

– Porque preciso.

– Precisava.

– Não! Preciso, pois quero; pois te quero. E não me incomodo com bagunça, lembranças, amargo ou doce. Preciso, apenas. Não vais: fique e me leve.

– Já vou, amargurado, já vou.

Lucas Lima (1-9-7-3) e Françozo, J. (Ragazza Rossa)


Posted 10 months ago with 15 notes
originally ragazzarossa

De tão fria, congelava-se. E nas mãos do estrangeiro, de tão quentes, derretia-se. Mas, de tão derretida, molhava-se. E, de tão molhada, escorregava. De tão escorregadia, caía. E de tão frágil, quebrava-se.
Lucas Lima (1-9-7-3)

Posted 10 months ago with 1,210 notes

Quando o silêncio nos invadia, tudo o que ela fazia era tomar-me o braço e contar a quantidade de janelas que a cidade tatuada em meu braço continha, mesmo sabendo de cor e salteado que eram vinte e seis. Observava e tentava, em vão, detectar qualquer detalhe sórdido que podia ter passado despercebido aos seus olhos outrora, quase como se o desenho gravado em minha pele fosse tão real quanto a realidade à nossa volta. E notava o quão aplicados eram teu olhos, como aqueles que lançava ao céu em noites de Lua cheia quando esta se destacava infinitamente em meio a tantas outras estrelas eventos estes que eu fazia questão de levá-la, somente para observar a tua beleza incansável perante a luz do grande astro iluminado. Em próprios pensamentos, perguntava-me qual seria o motivo pelo qual a garota em meus braços fitava por horas o desenho, imóvel e preto-e-branco. E soube a resposta apenas em 2001, quase dois anos após meus braços autodenominarem-se vagos, como cabine de banheiro público. Esta é a lei da vida: o presente responde o passado e nos dá perguntas cuja resposta o futuro irá dizer, quando este virar presente e o presente, passado. Enquanto perguntava-me o que tanto ela buscava incansável em meu braço, inventava detalhes que a fizessem desconhecer-me, apenas para ter a oportunidade de explorar-me novamente, como fazia com a Lua no céu. E isso não perdia a graça para ela exatamente como observá-la não perdia para mim. Em um mesmo momento, esclareci a pergunta que me intrigou em um pretérito perfeito e, automaticamente, perguntei-me algo que estava certo de que me intrigaria pelo resto de minha vida, entre eufemismos e metáforas, num futuro do pretérito: a razão pela qual a deixei fechar a porta e não retornar.


Lucas Lima (1-9-7-3)


Posted 11 months ago with 31 notes